[Livros] #1 The art of Procrastination

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Título :: “The art of procrastination”

Autor :: John Perry

Editora :: Workman Publishing Company; First Edition edition (August 28, 2012)

 

O meu contexto

Este livro já m tinha sido sugerido por várias pessoas e há vários meses que  o tinha pedido para a Biblioteca da minha Escola (ah! as bibliotecas! Sempre um bom sítio para nos inspirarmos, verdade?). Há uns tempos atrás o bibliotecário voltou-me a sugerir este livro “muito engraçado, que tinha chegado” e aqui estou eu.

Algumas ideias

O livro é produto de um filósofo da Universidade de Standford que fez carreira como docente universitário e ganhou fama de ser uma pessoa que faz muitas coisas, apesar de ele se reconhecer como procrastinador. Escreveu um ensaio sobre a procrastinação estruturada (a procrastinação que é produtiva) e desde então o grande feedback e os pedidos de leitores e editores levaram-no a escrever este livrinho que não é muito grande e cuja leitura é bastante agradável.

Para mim, pessoalmente, ficaram algumas ideias deste livro, que passo a partilhar convosco:

John Perry fala de um colega que tem o que ele chama de “perturbação de défice do parêntesis direito” (“right parenthesis deficit disorder” pp. 59) para definir alguém que vai sempre acrescentando coisas à frase que está a dizer. Esta expressão é deliciosa, não é? :)) A procrastinação, de certa forma é ela mesma uma um défice de parêntesis direito também, não é?

O conceito de procrastinação estruturada

É a ideia de que a procrastinação serve efectivamente para alguma coisa, desde que devidamente estruturada. No fundo a ciência disto está no auto-engano: em geral os procrastinadores não são pessoas que gostem de estar paradas (coisa com a qual eu me identifico), mas ao mesmo tempo têm dificuldade em fazer as coisas que estão no topo das suas listas. Assim, o truque é na realidade que no topo da lista coisas a fazer esteja coisas que são apenas aparentemente urgentes e importantes. O autor explora esta ideia que o conceito de urgência é relativo e que muitas vezes o verdadeiro prazo das coisas é posterior àquele que foi afixado. O ideal é que para procrastinar, as pessoas vão fazendo coisas que estão também na lista de alguma forma.

O que é absolutamente contraproducente para um procrastinador é ter apenas UMA coisa na sua lista, de acordo com John Perry (e eu concordo!).

Procrastinação e perfeccionismo são aliados. às vezes procrastinamos só porque estamos demasiado obcecados com esta ideia que temos de fazer de forma perfeita – e procrastinar é uma forma de nos libertarmos deter peso que nos impusemos a nós mesmos porque afinal, se estivermos pressionados com tempo, vamos fazer as coisas como for possível e pronto.

To-do lists devem ser meticulosas e deve ser possível ver as tarefas que estão concluídas; em vez de uma grande tarefa de cada vez; deve celebrar-se cada pequeno feito que leva a um maior (Skinner aprovaria esta ideia!).

A música pode ajudar: seja porque pode mudar o estado de espírito, seja porque pode acompanhar uma tarefa (e.g. vou fazer esta tarefa apenas na duração desta música/cd/playlist).

Emails devem ser tratados com eficácia, mas não demasiada – senão, não se faz outra coisa. No meu caso, tento lidar com os email todos apenas uma vez or dia e depois vou respondendo apenas aos urgentes ao longo do dia. Mas enfim, confesso que este é apenas o plano, nem sempre consigo cumprir escrupulosamente…

Navegar na internet é um perigo que pode ser gerido, escolhendo a altura em que tal se faz: quando já se tem fome, um tempo determinado antes de uma reunião ou compromisso, ou quando o pc já está a ficar sem bateria. Em último caso, usando um despertador para sabermos quando temos de parar.

Muitos procrastinadores são pessoas que se organizam “horizontalmente”, ou seja, precisam de ter as coisas em que estão a trabalhar espalhadas e à vista; uma vez que as colocam uma pasta, nunca mais as encontram – ou por outra, nem se lembram de as ir procurar.

Uma ideia que a mim me fez muito sentido foi colocar lembretes ao longo do dia para me lembrar que tenho de parar de procrastinar e fazer o trabalho.

Trabalhar com não procrastinadores pode ajudar. Por um lado podemos sempre aprender com eles e por outro lado, ajudam-nos a acabar o trabalho em tempo decente. “(…) never (…) redo work that some competent person is already doing” (pp.60). Já que o procrastinador vai começar mais tarde tarefas que outros já estão a fazer: é importante saber o que está a fazer toda a gente para não replicar trabalho e nesse caso, o procrastinador pode contribuir adicionalmente para o grupo com procrastinação estruturada, além da sua parte do trabalho. John Perry refere mesmo “do lots of relatively unimportant tasks the nonprocrastinator may never get around to. Buy some lunch. Play music. Keep them happy.” (pp. 61)

“Never do today any task that may disappear by tomorrow” (pp. 65) 

John Perry conclui finalmente que, apesar de existirem benefícios, a procrastinação É um defeito, não uma virtude – mas não é o pior defeito do mundo e tem de facto os seus benefícios.

 

Mais algumas palavras sábias deste livro:

“Barwise’s approach to writing was to figure out what he wanted to say, prepare an outline, start writing, and continue working until he was done.” (pp.56)

(confesso que uma parte de mim gostaria de ser assim!)

John Perry conta que numa dada fase da sua vida perguntou a outro filosofo, Pat Suppes, qual o segredo da felicidade. Este respondeu com três coisas que a generalidade das pessoas felizes fez, nomeadamente (pp.70):

“1. Take a careful inventory of their shortcomings and flaws

2. Adopt a code of values that treats these things as virtues

3. Admire themselves for living up to it”

(muito bom, não é? :))

 

“Zoom out some. It will all be over soon enough.

Sun go boom.”

(citando Jim Stone, pp. 79)

 

“Pat yourself on the back for what you get done. Use to-do lists, alarm-clocks, and other ways of booby trapping your environment. Form collaborations that will prevent you from never accomplishing anything. Above all, enjoy life.” (pp. 83)

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