Marketing Pessoal e Redes Sociais

Cerca das 12h vou estar na ESEIG a dar um seminário sobre Marketing Pessoal e Redes Sociais.

Ao longo dos últimos dias tenho estado ler algumas coisas mais especificamente acerca da gestão de redes sociais, o que tem sido bastante interessante e me levou a criar um quadro no Pinterest chamado “job hunters”, que partilho aqui.

http://www.pinterest.com/helenagmartins/job-hunters/

Partilho também algumas das ideias que vou discutir com os participantes deste seminário.

“O mundo está a mudar.” Esta não é a novidade. A “novidade” é a forma e a velocidade com que o está a fazer.

Do ponto de vista da economia, temos vindo a assistir

  • a um aumento dos serviços e setor terciário na nossa economia.
  • Aumento dos trabalhadores do conhecimento (knowledge workers).
  • aumento da individualização dos contratos (aumento dos contratos individuais de trabalho em vez dos contratos coletivos)

Isto implica uma mudança dos contratos psicológicos de transacionais para relacionais e outras alterações mais ou menos subtis como o próprio conceito de função e a gestão por funções (o aumento da polivalência, a vigência incontestada da flexisegurança, etc): e vemos hoje o início do reino da gestão por competências, não só porque é moda e fica bem, mas também na medida em que permite uma maior flexibilização e otimização dos recursos humanos das empresas.

Se os nossos bens são as nossas competências e se emprego para a vida acabou, temos de as saber mostrar (as competências são bens intangíveis!).

A questão é o quê é que queremos mostrar, como, quando e porquê. Já agora, a quem!

O conceito de Marketing Pessoal surge neste contexto, tendo em conta que nos dias que correm, nós próprios somos um produto/serviço, que faz parte da economia e portanto beneficia do seu próprio sistema para se dar a conhecer.

Pessoalmente, e relembro que a minha área de especialidade NÃO é o Marketing, parece-me que a primeira coisa que temos de perceber é “que tipo de produto somos”, ou seja: o que é que eu sei fazer? Quais são as minhas vantagens competitivas? Que coisas é que eu tenho de trabalhar/melhorar?

Aliás, ter consciência deste tipo de elementos é vantajoso não apenas para a construção de uma estratégia de – chamemos-lhe assim – Marketing Pessoal, mas também para outro tipo de situações, como entrevistas de emprego e a famigerada questão “fale-me de si”.

Tenso isto claro, passamos ao “Product Placement”, ou seja, onde é que o meu perfil de competências encaixa no mercado de trabalho? Mas ainda assim, também aqui entram questões para introspeção: o que é que eu gostava de fazer? O que é que para mim é realmente importante num trabalho? será que o meu perfil encaixa com os pedidos das entidades que têm funções em que eu gostaria de trabalhar? o que é que eu posso fazer para aumentar a minha empregabilidade.

Dito isto, gostava de acrescentar um ponto que pode ser controverso: a parte técnica é a porta de entrada, mas o que nos faz ficar tem muito a ver com o aspeto relacional.

Mas mesmo muito.

Pensem nisto: somos pessoas, vamos trabalhar com pessoas e a maioria de nós trabalhará especificamente na área dos serviços ou será “knowledge”, onde ofereceremos bens intangíveis, em geral criados em equipa.

Saber trabalhar em equipa, é fundamental. E quem diz trabalhar em equipa, diz relacionar-se com os outros em diferentes níveis.

O tipo de pessoa que somos, conta.

Em Medicina diz-se “quem só sabe de Medicina, nem de Medicina sabe.” e o mesmo é verdade para as outras áreas. É imprescindível que nas vossas vidas exista mais do que a vossa função profissional, que tenham outros interesses e que façam outras coisas. Enriquece-vos como pessoas e muitas vezes diferencia-vos dos restantes no mesmo mercado de trabalho.

Escolham aquilo que querem ser, não só o que querem fazer. (e com esta frase, espero ter concluído a fase “pop” desta apresentação – ou talvez não.)

Trabalhem os vossos skills sociais, as vossas competências transversais, desenvolvam-se pessoalmente. Não é por acaso que nem sempre os melhores alunos têm as melhores carreiras e os maiores sucessos.

E se falamos já do essencial, resta-nos então abordar o superficial que nem sempre é acessório.

Como então dar a conhecer o que pretendem que seja conhecido?

Vou usar a cartada de não ser da área do Marketing para vos dar a minha visão pessoal da coisa e me escusar a apresentar evidências científicas por demais. (ora, a ignorância por vezes compensa, não é verdade?)

Hà várias formas de fazer isto. Nos dias que correm, podemos ser vistos pelo mundo todo usando a internet. Mas o que é nos interessa “no mundo todo”?

Ou seja, em primeiro lugar temos de perceber o nosso setor de mercado-alvo. Quem são as áreas/empresas/pessoas que nos interessam do ponto de vista profissional?

O elemento mais privilegiado deve ser – a meu ver – o contacto pessoal.

Pensem nisto: se quiserem contratar uma mulher a dias, como fazem? Primeiro vão perguntar aos vossos conhecidos pela mulher a dias deles, se tem dias disponíveis estando eles satisfeitos com ela, verdade?

Porque vos interessa não apenas que ela limpe bem, mas também que seja uma pessoa séria e não vos roube a casa.

Depois vão tentar saber outras referências junto de amigo, conhecidos, vão à padaria do bairro ou à senhora da mercearia perguntar, certo?

Só em desespero de causa começam a ver os anúncios de oferta e o vosso último recurso será colocar um anúncio ou recorrer a alguém especializado em RS, verdade? É que estes processos que são os primeiros em que pensamos quando estamos a concorrer são geralmente os últimos em que pensamos quando estamos à procura de alguém para trabalhar connosco.

Ou seja, volto a reforçar: as relações pessoais são a vossa melhor fonte de Marketing Pessoal.

E isto significa que mais importante que ter 20 num trabalho de grupo em que toda a gente ficou zangada convosco, é poder ter de sacrificar um par de valores e ser íntegro, honesto, bom jogador de equipa e trabalhador sem atropelar os outros.

O mundo dá muitas voltas e vocês não sabem quem vos vai estar a contratar amanhã – ou quem vos pode recomendar para determinado trabalho/função (e aqui posso dar-vos o meu exemplo!)

Mas o mundo não se circunscreve á vossa rede pessoal (por muito importante que ela seja) por isso tentem capitalizar os restantes meios a vosso favor.

Como podem fazer isto?

Em primeiro lugar, isto requer alguma coragem. requer que estejamos aptos a que nos vejam e nos critiquem.

É sempre este o risco, como diria alguém “In order to avoid criticism, say nothing, do nothing and be nothing”. O Miguel Gonçalves diz que é preciso descaramento. E eu concordo.

Portanto: quando fizerem alguma coisa, tentem fazê-la o bem e partilhem com os outros. Tornem os vossos feitos visíveis.

Isto não é o mesmo que gabarolice. Há muitas maneiras de partilhar o que vocês têm e fazem!

A minha sugestão é que partam do pressuposto que o que vocês fizeram pode beneficiar outra pessoa. Neste contexto, como é que o pode fazer? habituem-se a oferecer em vez de pedir. Ofereçam as vossas competências em vez de pedirem emprego. Tentem perceber com cada pessoa com que lidam como é que o que vocês sabem, quem vocês conhecem as vossas referências podem contribuir para os seus projetos e dêem isso prontamente.

Há vários motivos para isto, se o simples facto de se sentirem bem convosco mesmos não vos convencer neste momento.

Passo a citar algumas vantagens

  • Tornam-se a pessoa que contribuiu logo para resolver um problema, naquele instante
  • Demonstram que são capazes de partilhar os vossos conhecimentos por algo que até vos pode transcender
  • Se a solução funcionar e houver uma vaga em que vocês encaixem, é possível que vos venham buscar (de onde veio aquela ideia podem vir mais)
  • Mesmo que isto não vos beneficie diretamente, quando melhor correr a vida à vossa rede de amigos e conhecidos, melhor é a vossa rede de contactos, melhores hipóteses têm quando quiserem uma opinião ou precisarem de perceber qualquer coisa naquele mercado, mais fácil será serem dos primeiros a receber uma informação.

Mas se isto não tem a ver com o vosso estilo pessoal, não se stressem. A essência desta filosofia é: se alguém vos tiver a contar um projeto ou uma dificuldade, ajudem efetivamente essa pessoa: seja com o vosso apoio, a vossa opinião ou uma ideia que vos surja naquele contexto. (em linguagem à primária, diria “não sejam invejosos”

Há um livro muito interessante especificamente sobre networking chamado “Nunca Almoce Sozinho” de Keith Ferrazzi com Tahl Raz em qu estas ideias vêm exploradas em maior profundidade e que vos recomendo desde já.

Mas voltando ao tema em mãos. Parece que voltamos de certa forma “ao antigamente” e novamente um dos vossos maiores bens é a vossa reputação.

Assim, repudiem a anomia social, sejam alguém que está envolvido com a sua comunidade e que contribui ativamente para ela. Façam voluntariado (numa causa que vos apaixone ou numa área adjacente à vossa área profissional para ganharem experiência), colaborem com a associação de estudantes, se forem pessoas religiosas colaborem com a vossa instituição, etc.

As redes sociais podem aqui servir para vocês ajudarem estes vossos projetos, ajudem outras pessoas a envolverem-se, divulguem eventos da vossa comunidade, importem-se e importem-se publicamente com as “vossas” pessoas. (estou a ser repetitiva, não estou?).

Enfim é esta a essência. Sejam bons tecnicamente, mas não fiquem com os conhecimentos só para vocês (“se uma árvore cai na flores e não está ninguém a ouvir, será que faz barulho”?), partilhem-nos não para glorificar o vosso ego que é tão esperto, mas para ajudar outras pessoas e projetos de forma altruísta.

Se quiserem ser mais esotéricos podem dizer que é o karma que fica bom. Se quiserem uma ideia mais “científica” fiquem com a Norma da Reciprocidade (Gouldner, 1960, entre muitos outros) esta ideia que “não há dever humano mais fundamental que retribuir um bem que nos foi feito” (Cícero).

Sejam boas pessoas e ajudem a vossa comunidade de forma mais ou menos pública (aqui já é mais um critério pessoal, até porque a nossa moral cristã indica que os bens que fazemos devem ser discretos). mas pelo menos identifiquem-se com as vossas causas. Estão a chamar a atenção para as coisas que vos preocupam e apaixonam quando o fazem!

Estando claro agora que é a essência que conta mais e que seremos avaliados sim, mas normalmente é pelo conjunto das nossas ações e não apenas por uma ato isolado (em geral… e é por isso que consideramos tão injusto sermos avaliados por exame para uma coisa grande, verdade?), vamos ver alguns aspetos práticos da gestão da imagem pessoal nas redes sociais.

Questões FUNDAMENTAIS:

  • A internet não esquece. Cuidado com as coisas que colocam online.
    • Especialmente fotos!
    • Façam a questão “os meus pais poderiam ver isto?” “o meu recrutador/empregador poderia ver isto?”
  • Cuidado com as coisas que dizem online – ai já tinha dito isto? Não faz mal, repito.
    • Não digam mal do vosso trabalho/curso/de outras pessoas

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  • Editem a privacidade das coisas que partilham. Certifiquem-se que sabem o que é que vêm as pessoas que não estão relacionadas convosco nos vossos perfis pessoais.
  • Já agora, googlem-se a vocês mesmos. O que é que aparece?
  • Evitem – mesmo para com os vossos contactos privilegiados – estar sempre a postar o vosso estado, especialmente se for relativo à vossa vida emocional. Pode ser o equivalente a ir a uma estação de metro a uma hora qualquer e começar a dizer alto o vosso estado civil/emocional. Expliquem-me lá porque é que isto seria má ideia?…
  • O facebook não é a única rede social que existe. Explorem as restantes, especialmente o LinkedIn! Estejam presentes e sejam fácies de encontrar online – dentro daquilo que vos interessa!
  • Estejam presentes: quem não é visto não é lembrado. Quando encontrarem online alguma coisa que possa interessar a outras pessoas, enviem por email, mensagem, usando o facebook, linkedin, instagram… o que quiserem!  mantenham-se “no radar”.

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Acima de tudo, lembrem-se que procurar um emprego e construir uma carreira é mais um exercício de casting que um concurso. É preciso vocês serem a pessoa certa para o papel, mas também é importante o papel ser o mais certo para vocês.

Certifiquem-se que  a vossa imagem online é a imagem que vocês acham que vos corresponde e da qual vocês se orgulham!

ESEIG Marketing pessoal e redes sociais

 

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