D30D :: um mês com menos 30 coisas

Há poucas coisas tão eficazes como ter obras em casa para perceber quanta coisa desnecessária se possui (suponho que fazer mudanças ou viajar muito tempo sejam outras das experiências que ajudam a perceber isto).

A realidade bruta de que tenho mais coisas do que posso objetivamente usar, que se houvesse uma inundação cá em casa (as obras foram por causa de uma fuga de água), teria dificuldade em perceber quais e onde estavam as coisas que realmente me importavam e das quais realmente teria pena de perder, foi uma enorme wake up call. Porque se uma parte de mim percebe que há coisas que estão a mais e que outras pessoas lhes dariam muito melhor uso, há uma parte que diz “ainda vais precisar disto”, “isto pode dar jeito” e “não quero abdicar disto”, o que torna este desafio realmente difícil.

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Há vários anos que ando a namorar esta ideia e até já tinha pensado e tentado fazer isto ao “sabor do vento” anteriormente, mas por algum motivo, isso não tem resultado. A verdade é que acabo por ter demasiadas coisas em casa, sempre relacionadas com coisas que eu acho que vou querer fazer, ou projetos e sonhos que depois acabo por não concretizar.

Há uns anos comecei a pensar mais seriamente acerca deste tema; foi quando li “O desafio das cem coisas” de Dave Bruno (livro do qual subsiste o blog) e me comecei a interessar pelo minimalismo, lendo coisas em blogs, revistas online e no pinterest. Cheguei a propor-me desafios de 30 dias (falhados) em que doava um item todos os dias, em que arrumava x coisas por dia, etc.

E a verdade é que há imensas pessoas que querem deixar de ser tão consumistas como a nossa sociedade nos empurra a ser, e que querem “arrumar” as suas vidas sem saber muito bem como, imaginando que começar pelo espaço físico as poderá de alguma forma ajudar, por ser um dos sítios por onde começar (e eu concordo!).


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Há um paradoxo (do qual eu também sou vítima) e que me diverte particularmente.

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Lemos revistas, blogs, sites etc. de decoração, moda etc. que nos incitam a comprar coisas que ficamos a acreditar que serão muito úteis às nossas vidas e que farão alguma diferença (e às vezes até podem fazer, a questão aqui nem é essa), mas se repararem, apesar da enorme quantidade de “coisas” que esses sites publicitam, quando aparece algum espaço físico, por norma ele está muito arrumado, tem bastante espaço vazio – e não tem coisas empilhadas, senão para dar um toque “artístico”.

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Ou seja, somos incentivados a comprar/adquirir muitas coisas pela “pop culture”, ao mesmo tempo que a mesma “pop culture” passa a imagem de um ideal de simplicidade aliado à sofisticação.

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É um paradoxo interessante, não muito diferente daquilo que acontece nas nossas vidas. Somos subtil ou descaradamente incitados a comer coisas que nos engordam, mas aquilo que a sociedade preza são os corpos magros; pedem-nos para fazer uma multiplicidade de coisas nos nossos trabalhos, ao mesmo tempo que se valorizam apenas umas percentagem relativamente reduzida das tarefas que nos são imputadas; somos encorajados pela sociedade a usar redes sociais para estar em contacto com muita gente nos mesmos meios em que nos incentivam a “dar valor àquilo que realmente importa” e a “desligar-nos da tecnologia”.

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Ou seja, acho mesmo que há qualquer coisa para aprender aqui.

Por isso, e embora esse seja claramente um objetivo insuficiente, decidi que em outubro apenas posso gastar dinheiro em comida/bens essenciais e contas (compromissos essenciais e anteriormente definidos).

Adicionalmente, tenho de doar um item que eu possua e que não use, por muito que goste dele, por cada dia do mês (pelo menos 30 itens).

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Ideias para as coisas que já não uso:
1. dar a amigos
2. vender
=> OLX
=> Vandoma
=> miau.pt
3. upcycle
4. dar a instituições
5. reciclar
6. manter

No meu caso em particular,

7. terminar projetos e doar os livros associados aos mesmos.

zen-approach-to-debtOnde ler sobre diferentes aspectos do minimalismo, online:

Uma lista de links simpáticos: http://mnmlist.com/links/

Into Mind (guarda-roupa minimalista)

Project 333 (desafio minimalista, também relativamente a roupa)

The minimalists (um dos blogs mais populares sobre o tema)

Zenhabits (blog do Leo Babauta)

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2 pensamentos sobre “D30D :: um mês com menos 30 coisas

  1. Estou a mentalizar-me para começar a funcionar assim…. desfazer-me ( doando) todas as semanas de inúmeras “coisas” que só me enchem a casa e a cabeça…… preciso dum empurrão forte!!!!! Obrigada pelas v/ ideias e ajudas.

  2. Pingback: D30D :: um mês com menos 30 coisas #2 | Helena G. Martins

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