2014 :: 2015

Lembro-me de começar este ano a pensar que “agora é que vai ser”.

Em janeiro tinha em mãos dois grandes projetos e os restos de um 2013 muito negro.

Apesar de não dar muito valor a este ritual da “passagem de ano” porque o meu ano começa sempre em setembro, quando começa o ano letivo, uma amiga próxima andava em sino a dizer “2014 é que vai ser, é que vai ser” e a sua alegria contagiou-me.  O facto é que ano pior que 2013 seria difícil de acontecer.

E lá foi 2014, devagarinho como uma plantinha a sair do solo, sem saber bem o que era e com vontade de sol, saiu do chão timida mas seguramente.

sprout-940x626Às vezes questiono-me do porquê de segmentarmos as nossas vidas em anos. Que necessidade é esta de compartimentalizar uma coisa que é contínua, como a vida? E às vezes acho que a contagem dos anos é desnecessária porque as pessoas tendem a achar que têm de fazer certas coisas e ter certos comportamentos (ou que pelo contrário não podem fazer certas coisas e ter certos comportamentos) por causa dos anos que têm.

Por outro lado, os anos como marca da passagem do tempo também são um bom ponto de referência daquilo que fizemos, daquilo que estamos a fazer e daquilo que queremos vir a fazer, uma forma mais ou menos discreta de nos fazer pensar sobre o que andamos afinal a concretizar com a nossa vida.

Acresce que, com o passar dos anos, o valor relativo de um ano vai-se diluindo, nos outros anos todos que já vivemos. Da mesma maneira, que com alguma sorte, nos tornamos mais compassivos connosco mesmos e com os outros – porque os erros que cometemos no presente se diluem nos outro que fizemos no passado e que vamos fazer no futuro (e  porque há coisas que só se aprende fazendo, e que só se faz errando!); mas também menos orgulhosos e arrogantes – porque as nossas conquistas são efémeras e precisam de trabalho diário e constante para não serem meras memórias cada vez mais distantes.

Ou seja, parece-me que esta noção do ano que passa, nos permite perceber o que estamos a “fazer”.

Ter esta noção mais ou menos “micro” é importante porque como disse Aristóteles “somos aquilo que fazemos repetidamente” – sendo que é absolutamente fundamental não nos esquecermos também de ter uma visão mais macro: “somos seres humanos, não fazeres humanos” (Deepak Chopra), e se um ano tem menos coisas para mostrar, pode simplesmente ser porque esse crescimento foi interior, porque o fruto precisava de mais sol, porque a ideia ainda não estava madura, porque não era a altura certa. A vida não pára só porque um ano acaba – ela continua sem se importar nada com isso.

É um equilíbrio difícil, mas importante.

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O meu ano em particular,  acaba em flor. E agora eu já sei que a semente era de uma árvore.

Parece a Carla tinha razão e que 2014 “foi”, de facto.

2015, sem ter a certeza do que “vai fazer”, tem porém a certeza que “vai ser” também.

Que estejamos juntos e a tornar o mundo um pouco melhor.

Bom ano!

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