[Um ano sem televisão] semana #2

Depois de na semana passada perceber que esta aventura será muito provavelmente mais difícil do que parecia a princípio, comecei esta semana com novas resoluções e ideias para contornar as dificuldades, mas a tarefa não foi especialmente bem sucedida…

Aqui fica a semana 2 em resumo com as suas dificuldades e alguma frustração pelo meio, em que a grande lição foi aceitar o fracasso sem desistir.

A semana começou bastante bem: domingo foi um dia ocupado qb em que quase consegui não me distrair – até que decidi quebrar as regras só por um bocadinho para ver a abertura dos Globos de Ouro e estraguei tudo, porque acabei por ficar a ver coisas e mais coisas.

Durante a semana, fui tendo dificuldades deste género sempre, com uma desculpa mais ou menos benigna para aceder a conteúdos e depois o vício a fazer das suas.

Este desafio está a ser realmente muito difícil para mim, e apesar de ter feito um mês sem séries, acabei por não fazer nenhum mês de preparação para esta missão – o que pode estar a fazer a diferença. Decidi portanto ser menos dura comigo mesma nesta fase e aceitar que isto pode ser apenas a preparação, com as suas aprendizagens e falhas.

Assim, depois de compreender isto tornei-me menos radical e decidi ir-me acomodando à nova situação. Eu percebo que este hábito é mau para mim apenas porque eu de facto tenho pouco controlo sobre ele depois de começar (i.e. é um vício!), mas tenho dificuldade em deixá-lo em parte porque eu gosto tanto de ser entretida e em parte porque tenho a sensação que faz parte da minha identidade e da forma como obtenho informação.

Ao mesmo tempo e apesar de não sentir que estou a ter sucesso que gostaria com este projeto, ele tem trazido outras mudanças que têm a ver com o estar mais consciente e mais presente: em particular, 1) inspirada pela minha amiga Alexandra que agora só vai ao facebook ao final de semana, decidi que posso apenas ir ao facebook 3 vezes por dia – e quando desligo, desligo mesmo e 2) finalmente comecei a usar de facto os transportes públicos e a andar mais a pé no meu dia a dia que era uma coisa que eu andava há anos a querer fazer (e que decido todos os anos que “agora é que vai ser”).

Relativamente a usar o facebook de forma mais consciente, tenho a dizer que naqueles momentos mais mortiços em que ia “só dar uma espreitadela”, agora acabo por organizar qualquer coisa, procurar artigos ou fazer coisas que são mais simples mas muito mais importantes que consultar uma rede social, por isso “win!”

No que se refere a usar mais os transportes públicos, eu sei que a relação com evitar os conteúdos audiovisuais não é óbvia, mas eu sinto que elas estão ligadas; pode ser por estar mais consciente do tempo que de facto tenho, ou por sentir que posso alterar hábitos de vida que eu quero mesmo, mas a verdade é que tenho conseguido estar tranquila o suficiente para fazer também isso. Ocorre-me ainda que pode ter a ver também com uma questão de controlo e de capacidade de me comprometer com opções limitadas (que é o que acontece com o uso de transportes com horários predeterminados vs o uso de um transporte cujo horário só é determinado por nós mesmos).  Seja como for é algo que me agrada mesmo muito e que me deixa particularmente satisfeita.

As grandes dificuldades esta semana começaram realmente na quarta porque tinha imenso trabalho para fazer quando cheguei a casa, mas estava muito cansada. Em geral, são as situações em que eu não consigo lidar com o facto de não estar a cumprir com os meus objetivos que me fazem recorrer ao youtube e a vídeos, como uma espécie de fuga. Isto acontece quando estou demasiado cansada, adoentada ou triste, mas depois acaba por se expandir para outras situações porque a aprendizagem afetiva é só que me sinto melhor depois de ver alguma coisa.

É mesmo engraçado: nunca me tinha dado conta que esta dificuldade pode essencialmente estar relacionada com não estar a conseguir fazer qualquer coisa e depois querer evitar de todo a situação por completo. É possível que não conseguir lidar com as minhas exigências perante mim mesma esteja a criar um obstáculo maior no cumprimento de qualquer exigência. Curiosamente, neste fim de semana fiz um workshop em que se falava dos desafios que a vida nos coloca e de como enquanto não conseguimos aprender a nossa lição parece que há sempre os mesmos problemas que nos vão surgindo uma e outra vez – e como a única forma de lidar com uma emoção, seja ela qual for é de a abraçar e a aceitar.

Acho que preciso mesmo de refletir sobre isto.

Em suma, esta semana:

  • aprendi que não me é produtivo trazer trabalho para casa, a coisa tem de render até as 18 porque eu depois apago mentalmente (é bom ter esta consciência porque assim dá para planear melhor os meus dias de agora em diante a volta disto, o que tem o seu quê de vantagem: dá por exemplo para poder planear ir correr ao final do dia e estar com amigos/família).
  • Continuo a ter muita apreensão face ao tempo sem este vício e por vezes duvido se serei capaz de aguentar estar sem séries/tv/whatever
  • Comecei a andar de transportes públicos tanto quanto possível e a usar o facebook de forma mais consciente.
  • Talvez possa ser uma boa opção juntar a isto meditar e fazer yoga quando chego a casa ou ir correr. Vou considerar isto seriamente.
  • Percebi que este vício pode estar relacionado com a minha dificuldade em lidar com o fracasso e como esta necessidade de fuga possa simplesmente estar a multiplicar estas mesmas situações.

outras referências:

Artigo do Huffington Post sobre mudança de hábitos: 5 Unexpected Ways To Break A Bad Habit

Um pensamento sobre “[Um ano sem televisão] semana #2

  1. Pingback: [Um ano sem televisão] um resumo | Helena G. Martins

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