[Um ano sem televisão] o primeiro mês

Há um mês que estou a tentar livrar-me do meu vício de televisão. Ao longo deste mês tenho percebido várias coisas importantes, que foram mudando ao longo das semanas, nomeadamente, o ponto de equilíbrio entre alguma rigidez (como requer qualquer desafio) e alguma flexibilidade e tolerância com erros, como requer qualquer desafio de longo prazo.

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Pois é, passou um mês desde que decidi cortar a “televisão” (entre aspas porque efetivamente eu não tenho uma TV, apesar de ver muita “televisão” no computador).

Ao longo do mês tive vários momentos em que falhei e outros tantos em que consegui mudar hábitos. No início estava a ser bastante rígida comigo mesma e isso estava a ser disfuncional – foi a altura em que decidi ser um pouco mais flexível e fazer o que os americanos chamam de “lean in”, fui fazendo as coisas que eram mais fáceis no sentido de fazer aquilo que eu quero atingir e aos poucos o resto foi-se também tornando mais exequível.

indexMas ainda falta *tanto*!!

Tive quase tantas vitorias quanto derrotas: deixei de estar viciada em séries de tv mas ainda não deixei de ver mesmo nenhuma (voltou “how to get away with murder” e eu não resisti) – não acho que seja muito dramático se só vir uma série, mas o objetivo não é esse…

Consegui controlar mais ou menos o vício com o youtube também e consigo ser disciplinada o suficiente para nas horas de trabalho não pegar mesmo nessa ferramenta para fins lúdicos, mas ainda não consegui dominar a parte do dia em que não estou a trabalhar.

Tenho estado a negociar comigo mesma a possibilidade de assistir a vídeos de forma mais intencional e muito mais limitada e programada no tempo como passo intermédio antes de eliminar por completo a TV. Continua a assustar-me um pouco essa possibilidade, para ser sincera… Mais uma vez o tal receio de “será que me vou tornar uma pária que não está a par de nada e não percebe as referências dos outros?” “será que vou ficar sem criatividade?”

Numa reflexão anterior já referi como me parece que este vício de ver séries e conteúdos televisivos tem a ver com alguma vontade/necessidade de fugir à realidade. Continuo a sentir uma espécie de compulsão para este comportamento quando adoeço ou quando o dia me corre mal, e que depois acaba por ficar porque a associação cognitiva é apenas de que ver coisas significa aumento do bem estar.

No entanto este mês, apesar de não ter sido completamente bem sucedido parece-me ter representado um importante passo no sentido desta “missão” que me quero impor e que cada vez mais me parece importante. Aparentemente há até um movimento entre os artistas e músicos norte-americanos que se chama “woodshedding” que significa passar algum tempo longe de todas as distrações (como se estivesse ou mesmo efetivamente estando uns tempos a viver numa cabana no monte/longe da civilização) a praticar a sua arte. É uma forma de descobrir a forma mais pura da sua expressão e identidade como artista.

Interessante, não é?

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Ao longo do mês fui oscilando no nível de comprometimento com este projeto, na medida em que umas vezes era mais rígida e outras mais branda e permitia mais “exceções”.

Parece-me apenas uma forma de eu reagir ao síndrome de abstinência e tal como fiz com grande sucesso com o horário laboral, parece-me que para o horário lúdico/pessoal preciso é de arranjar alternativas comportamentais que me permitam estar entretida enquanto lavo a loiça ou faço o jantar, por exemplo. Atividades que sejam relaxantes e não me cansem mentalmente, mas que ao mesmo tempo me entretenham (coloquei uma listinha em baixo – contribuam se quiserem).

Confesso que nos últimos dias decidi permitir-me ver o que quisesse a partir das 19h, desde que fosse apenas um punhado de coisas. E confesso que não resulta. É o problema dos vícios, não permitem meios termos.

Nos serões em que me permito ver conteúdos audiovisuais, noto que estou menos disponível para os meus amigos e para as pessoas na minha vida, porque enquanto estou a ver qualquer coisa estou completamente absorvida por ela; noto que tenho mais sono mais cedo e noto que faço menos coisas em casa (deixo as coisas mais desarrumadas, não faço as coisas que queria fazer: janto sem dar muita atenção ao que estou a comer e abanco no sofá a ver qualquer coisa, acabando por adormecer ali mesmo.

É mesmo curioso. Nos outros serões em que a TV não entra, acabo sempre por fazer *montes de coisas*, agora que penso nisso. Hmm!

Bom. Venha mais um mês. Desconfio que ainda preciso de mais uns tempos antes de fazer isto “mesmo a sério”, mas também me parece algo saudável este processo um pouco gradual de aos poucos ir implementando mudanças.

Acho que também já tinha comentado, mas este processo é em tudo semelhante ao fazer de uma dieta, com as regras que se vão impondo e a necessidade de não querer fazer tudo de uma só vez para não causar por completo a reação oposta – bem como a vontade de contrariar por completo o esforço e as regras que são impostas pelo regime.

Lá chegarei, e confesso que agora que fiz esta reflexão estou um pouco mais animada!

Ideias para atividades no tempo lúdico para substituir a TV

  • ver fotos do computador e enviá-las para as pessoas que lá estão (tantas vezes não partilhamos as coisas!!)
  • organizar as papeladas enquanto oiço podcasts
  • arrumar armários enquanto oiço podcasts
  • ler
  • estudar música (cantar, praticar piano)
  • ensaiar para os espetáculos do Personificcionar
  • escrever postais!
  • ler blogs e sites sobre a cidade do Porto, minimalismo, culinária vegan, etc.
  • meditar
  • correr (até já comprei uma capa de chuva em condições!)
  • desenhartumblr_ldachzWKlm1qa5699o1_500

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Um pensamento sobre “[Um ano sem televisão] o primeiro mês

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