[um ano sem televisão] semana 2.2

Esta semana experimentei uma técnica de terapia paradoxal em mim própria – e tenho a dizer que funcionou bastante bem… Até eu arranjar maneira de lhe dar a volta. Uf. Difícil, isto.

paradox 1Depois de fazer a tal listinha de todas as coisas que podia fazer em vez de “ver TV” e de decidir tentar manter este jejum até às 22h de cada dia, dei por mim no primeiro dia a esperar ansiosamente pelas 22h e a fazer uma série de outras coisas (todas muito úteis, diga-se de passagem) para me entreter.

Nesse dia acabei por conseguir preparar todas as coisas do dia seguinte e por apreciar apenas esse “fruto proibido” em vez de estar a fazer outras coisas ao mesmo tempo. E foi quando me ocorreu a ideia da terapia paradoxal.

paradox-copy-653x233O conceito é relativamente simples e eu vou explicar por traços largos: quando há um comportamento que queremos fazer extinguir ou diminuir, confinamos esse comportamento a um período específico por dia, em que temos obrigatoriamente que o fazer (esta terapia é usada em diferentes perturbações, mas essencialemnte perturbações de ansiedade). Ou seja, passei a a saber que independentemente de tudo o resto às 22h tinha de estar a ver uma série ou outro programa de TV obrigatoriamente durante uma hora.

Não tardou muito para que a obrigatoriedade começasse a fazer ricochete, porque apesar de tudo, há outras coisas melhores que posso fazer com o meu tempo. Rapidamente comecei a dar por mim a pensar que não tenho tido tempo para ir correr e que essa hora poderia ser aproveitada para isso; que sempre quis fazer dança de contacto e que nunca arranjo tempo para tal, que podia começar a gravar as histórias do Personificcionar e pôr no youtube, que podia passar esse tempo a desenhar, a falar com alguém, a escrever postais, a preparar surpresas e muito rapidamente começaram a surgir-me desafios de 30 dias interessantes e novos para fazer – que era algo que estava mais ou menos estagnado.

paradox

 

Enquanto isto funcionou lindamente dois ou três dias,  pouco tempo depois comecei a facilitar nas minhas restrições, porque “tinha o paradoxo a funcionar a meu favor” e estraguei tudo num instante outra vez.

Hoje é um daqueles dias em que me sinto mesmo feita ao bife: parece que não consigo sair disto de todo. Continuo a conseguir manter as horas de trabalho sem tv, mas por exemplo, hoje foi um dia muito pouco produtivo porque decidi ouvir espectáculos de stand up enquanto fazia outras coisas. Guess what? Não consigo trabalhar e fazer isso ao mesmo tempo e acabei por ficar o tempo todos “só mais 5 minutos” a ver os espectáculos.

Caramba.

Hoje estou num dia em que estou a ver pouca saída para isto: cada vez mais tomo consciência do quanto isto me prejudica, e nem assim estou a conseguir sair… caramba.

(e depois de ler as referências que estão infra, concluo que se calhar tenho mesmo é de fazer um “scale down” e transformar isto primeiro num desafio de 30 dias. Pois seja.)

O que a internet diz, procurando “how to give up your tv addiction” no google:

http://www.michaeldpollock.com/how-i-overcame-tv-addiction/ – Este senhor conheceu a mulher da vida dele e ela não tinha TV: a tal de Ellen, mostrou-lhe como se faz isso. Agora quer vender um programa de apoio aos desgraçados como eu que não conseguem largar o vício, diz que têm de fazer uma lista de alternativas (oh really?) e monitorizar o que vêm e quando (is that so?), bem como desenvolver um sentido de missão e propósito na vida. Blá blá blá e fazer mais exercício e assinar a newsletter que deve ser paga. Obrigadinha, Michael Pollock.

http://www.wikihow.com/Quit-Watching-TV – o wikihow tem outras ideias: “start small”, em que apenas um dia por semana não se vê tv, não substituir programas velhos com programas novos, usar um timer quando se vê TV para limitar o tempo de consumo, fazer um registo daquilo que se viu e comparar o tempo a ver tv com o tempo usado a atingir objetivos (oh my god, isto por-me-ia louca, é já aquilo que me deixa doida com o meu vício!!) “If you need an audio-based activity, try audiobooks, radio, and podcasts” e “Meet other people who have made the same choice.”

http://www.scotthyoung.com/blog/2006/07/28/how-to-give-up-television/  – o Scott H Young tem uma série de ideias interessantes e uma delas é estar 30 dias sem tv, assim mesmo cold turkey.

http://matadornetwork.com/life/unplugged-breaking-your-television-addiction/ – Sabina Lohr diz que a única forma de fazer isto é “cold turkey”. E acrescenta:

“Step VI – Never Forget.   Ridding yourself one hundred percent from a habit can take years.  Don’t let water cooler talk and magazine covers at the grocery store pique your curiosity about what’s cooking in the lives of Jon and Kate plus their eight.  This is addiction.  Be prepared to fight it.  It’s not heroin, though.  You can do it.

Now, welcome to real life.”

http://zenhabits.net/addiction/ – o Leo Babauta tem uma abordagem diferente, lembrando que é o medo que nos torna viciados na TV e na internet, a procrastinação de coisas mais dificeis ou desagradáveis. E sugere que façamos pequenas sessões em que estamos sem tv e as vamos aumentando – e que consideremos como o nosso temp na terra é limitado para todas as coisas que queremos e podemos fazer: temos mesmo tempo a perder com tv?…

“The keys, again, are to face the problem and increase awareness. And this takes a little bit of courage, but it can be done.”

http://www.thesimpledollar.com/ten-financial-reasons-to-turn-off-your-television-and-ten-things-to-replace-it-with/ – tem ideias simples sobre porque é que devemos mesmo largar o vício da TV.

http://hoboken411.com/archives/96827 – neste pequeno artigo pessoas que deixaram a TV há anos resumem a sua experiência.

http://tvaa.blogspot.pt/ – Tv addict anonymous

Artigos científicos

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4114517/ – Sussman & Moran, 2013 – “Hidden addiction: Television”

http://www.scielo.br/pdf/rprs/v28n2/en_v28n2a14.pdf – Fontanella, 2006 – “Compulsive television watching in an adolescent: a case study”

http://commons.pacificu.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1054&context=inter09&sei-redir=1&referer=https%3A%2F%2Fscholar.google.pt%2Fscholar%3Fstart%3D10%26q%3D%2522tv%2Baddiction%2522%2Btherapy%26hl%3Den%26as_sdt%3D0%2C5#search=%22tv%20addiction%20therapy%22 – Davis, 2009 – “When Online Lives Create Offline Problems: Internet Addiction Disorder”

 

know_your_paradoxes

Um pensamento sobre “[um ano sem televisão] semana 2.2

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