[Um ano sem televisão] fevereiro

O segundo mês continuou a ser muito difícil, até que finalmente tive um “breakthorough” e comecei mesmo a conseguir deixar de ligar o youtube e outros sites de “online tv”.

medium_10635622803Depois da reflexão acerca de janeiro, comecei o segundo mês deste desafio, um pouco mais convencida e com menos dúvidas acerca da importância de fazer esta experiência e com os receios sobre aquilo que eu poderia perder por abdicar de tempo de TV sozinha, o que provou ser fundamental para o segundo mês. A investigação nesta área indica que este é o receio mais frequente das pessoas que se sentem viciadas quer em séries de TV quer na própria internet e nas redes sociais (ver a bibliografia dos posts de fevereiro para mais detalhes), naquilo que se chama FOMO – fear of missing out.

Comecei a conseguir desligar dos conteúdos audiovisuais (depois de lutar muito (e falhar quase todos os dias) com a dificuldade em os deixar) e a sensação que tive foi de estar acordada e… isto vai soar patético, mas também *livre* e capaz de fazer tantas outras coisas. Senti-me mais em controlo da minha vida e mais capaz e criativa – exatamente o oposto daquilo que eu achava que poderia acontecer.

Tv-Bookcase

Ainda não estou livre de recorrer ao youtube quando me sinto ligeiramente desconfortável ou aborrecida independentemente daquilo que estou a fazer, mas cada vez mais escolho que coisas para ouvir e não para ver.

A ideia de woodshedding tem-me sido recorrente, o conceito de estar recolhida de distrações para me poder concentrar nos meus projetos e ideias. Estou a gostar disto e começo a perguntar-me se isto dos podcasts pode ser o tempo todo e o que devia fazer relativamente ao conceito de ver filmes em casa (não está bem na categoria de “TV”, nem de “Youtube”, embora possa na mesma ser considerado uma forma de ambas as coisas… Eu se ique já tomei esta decisão de não ver filmes, mas confesso que ainda não estou em paz com isso, há uma parte de mim que continua a tentar negociar este aspeto…).

Sinto-me com mais energia, mais conectada com a minha vida e com as pessoas que me interessam. É mesmo giro: tenho menos conteúdos, mas aproveito muito melhor os que tenho.

Sanduhr_transp

Adicionalmente tenho estado a usufruir mais de um certo minimalismo que não é só de coisas materiais, mas também das coisas em que estou envolvida, que se tem traduzido em efetivamente avançar com o doutoramento que tem já final à vista, com o livro, mas também em termos de aulas, sinto que estou a ser mais eficiente, pois consigo mais facilmente decidir o que está para ser feito e dividir o tempo de forma eficaz em que não procrastino.

Sinto-me menos ansiosa: quando decido fazer uma tarefa, consigo ficar nessa tarefa e não a interromper porque comecei a ficar nervosa ao lembrar-me de todas as outras coisas que não estou a fazer. Acho que enfrentar o tal “Fear Of Missing Out” também me está a ajudar a aceitar que não posso chegar a todo o lado – e isso não tem problema.

Como última nota, esta semana finalmente decidi experimentar os audiobooks da amazon.com (o site é o Audible.com) e tenho estado a ouvir estórias contadas em vez de outras distrações. Como tenho tido um consistente interesse no minimalismo, comecei pelo livro “Everything that remains” do Joshua Fileds Milburn e Ryan Nicodemus. Apesar de ser na mesma uma distração, o que eles chamam um “pacifier” (algo que acalma, e que em inglês é a mesma palavra que “chupeta”), sempre é uma distração mais pacífica – e… intencional! Vou escolhendo os livros que quero ouvir de acordo com critérios de entretenimento, mas também de utilidade e valor. E não canso os olhos nem estou sempre só sentada no mesmo computador em que trabalho também.

devolution-12r46wmEste recurso permitiu-me sossegar um pouco o meu receio do início desta semana, quando eu comecei efetivamente a conseguir não ligar o youtube e os sites de séries: “será consigo equilibrar as coisas agora ou não?”, “será que vou entrar em burnout? Será que consigo descansar sem ter o descanso mental da TV?”

E embora os dias não estejam completamente “limpos” de vídeos e este tipo de “mindless distractions”, a verdade é que é cada vez mais fácil fazer isto.

Finalmente isto começa a ter piada! Venha mais um mês!

tumblr_nhvoq5HobA1qkegsbo1_500

 

An Addict’s Guide to Overcoming the Distraction Habit (Leo Babauta)  http://zenhabits.net/distraction/

Um pensamento sobre “[Um ano sem televisão] fevereiro

  1. Pingback: [Um ano sem televisão] um resumo | Helena G. Martins

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s