[um ano sem televisão] julho

Este mês foi marcado por uma forma diferente de pensar sobre este desafio e uma opção mais radical.

“Every limit presupposes something beyond it.” (Nabokov, “Lolita”)

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Este mês teve uma flutuação interessante relativamente ao controlo que sinto relativamente “à coisa”. No início do mês, embora continuasse a recorrer ao youtube quando me distraia ou quando não tinha energia para trabalhar ou fazer o que devia, sentia que me dava conta e era capaz de inverter o processo, parando de ver e até ouvir o que estava a ouvir (geralmente stand up).

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Reparei também que nesses dias acabava por “magicamente” não ter tempo para ir ao ginásio e chegar atrasada aos meus compromissos sociais.

Nessa altura achava que estava mesmo pertíssimo de conseguir largar o hábito de usar o youtube para coisas que não sejam música e uma ocasional TED Talk (o que seria perfeito).

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No entanto, continuavam (mesmo nesta fase) a haver 2 tipos de situação em que o “vício” ainda não estava controlado:

  1. Quando estou mesmo muito cansada ou a precisar de não pensar em nada nem fazer nada de produtivo
  2. Quando estou a fazer coisas mesmo chatas e preciso de algo que distraia parte do meu cérebro da tarefa chata

Naturalmente que acho que o uso esporádico ou controlado de entretenimento é positivo (daí a maior parte das minhas dúvidas relativamente a se queria mesmo fazer este desafio que dominaram os tempos iniciais do mesmo), no entanto, o problema depois, para mim, é “sair” deste loop, porque passado esse momento, continuo dependente de conteúdos audiovisuais para funcionar (“estou com preguiça, por isso vou por qualquer coisa a dar enquanto saio da cama” – e depois fico a ver).

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Acreditava que era este o último reduto onde o vício se agarrava a mim – e sendo realmente um “vício” tenho a questão de como me conseguir desligar do vício uma vez que retorne a ele, porque fico mesmo mesmo mesmo (3 vezes!) agarrada.

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No entanto, com o avançar do mês e o aproximar da conclusão da tese de doutoramento, os dois tipos de situação que referi associadas a períodos de maior stress tornaram-se frequentes e recaídas continuaram a acontecer, o que gerou – sem exageros – uma sensação de desespero total quando pensei que vou ficar sem algo para ver e um mood depressivo de de “helplessness” depois de recair.

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Percebi que me estava a enterrar novamente na espiral, percebi que, muito provavelmente, este vício que eu conceptualizei como o vício da televisão no computador, pode mesmo ser uma coisa mais popular e definida em geral como o vício da internet. A adição à internet (não me lembro onde li e como sou uma “rebelde” não vou procurar agora) parece ser definida relativamente ao uso que damos à mesma fora do contexto de trabalho. Os aditos passam 4 ou mais horas por dia na internet por motivos que não são profissionais – eu estava claramente dentro desta categoria. Cof cof. *Muito claramente*

phd062507sNa semana que antecedeu eu tirar o modem do sítio dele (não simplesmente o desligar da tomada) passei vários dias de filme em filme, cumprindo os requisitos mínimos dos meus compromissos pelo meio. No primeiro dia guardei o modem no armário perto das tomadas, mas o resultado foi umas horas sem internet e depois o dobro das horas só a ver filmes online – era muito fácil voltar a por a coisa a funcionar. Então decidi ser mais radical e guardar o modem no carro. Só não tirei mesmo a internet de casa porque tenho um contrato de fidelização até fevereiro e pago muito pouco por mês, o que significa que para uma emergência de trabalho posso sempre ir buscar o modem e essa opção não é cara.

No entanto, se a estratégia começar a não funcionar, sei que tenho sempre a opção de cancelar mesmo o contrato e pagar a cláusula de rescisão.

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O que aconteceu depois

Depois aconteceram várias coisas interessantes: voltei a ter tempo para fazer exercício (que é uma coisa que misteriosamente desaparece quando fico mais “agarrada”), voltei a estar mais atenta à minha casa e a tê-la mais arrumada e comecei a organizar os documentos no meu pc, em especial a partilhar as fotos que tiro com o telemóvel com as pessoas que lá aparecem. Mas sobretudo, e isto é algo que é indescritível, a sensação de descanso mental é incrível em minha casa. Não há outra forma de explicar isto, é mesmo “descanso mental”… Estou também muito mais produtiva e saio muito mais de casa (quando preciso de trabalhar com acesso à internet tenho ido para trabalhar para um café ou outros sítios).

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Continuo a ouvir audiolivros e este mês ouvi livros incríveis como “The elegance of the hedgehog”, “The power of vulnerability”, “Lolita” e “The first fifteen lives of Harry August”. No meu registo do audible percebi que tenho ouvido uma média de 10 livros por mês entre a ficção, os livros práticos e os cursos de várias coisas que tenho feito.

O ponto em que me encontro de momento é na compreensão de que, apesar de estar muitíssimo melhor do que no início desta “viagem”, é mesmo muito fácil passar para o “lado de lá” e que para já esta opção requer esforços um pouco mais “radicais”.

Há uns tempos valentes fiz um desafio de 30 dias sem internet em casa do qual resultou meio ano sem internet em casa de todo. Lembro-me perfeitamente de tomar esta decisão pelos motivos que tenho vindo a redescobrir e porque eu precisava menos de tv e internet em casa do que a utilização habitual me fazia prever. Acho perfeitamente possível retornar a esta opção de forma mais definitiva agora.

Estou entusiasmada com o próximo mês porque a conclusão e entrega da minha tese deve ocorrer em agosto e com a criação desse espaço vou poder dedicar-me a outros projetos (case and point O LIVRO!!!!!) que tem pacientemente esperado há mais de um ano pela minha atenção e energia completas. Acho sinceramente que esta fase de conclusão continuaria sem acontecer se não tivesse feito este corte com a tv/internet.

Venha agosto!

Um pensamento sobre “[um ano sem televisão] julho

  1. Pingback: [Um ano sem televisão] um resumo | Helena G. Martins

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