Arrumações a gosto

Há uns meses (10!) decidi que ia ter uma casa mais arrumada e que ia tornar-me (mais) minimalista. Este não me é um processo natural de todo e para me ajudar tenho lido mais coisas na área da organização. Há três ideias essenciais que a generalidade dos autores refere para conseguir estes objetivos: “like with like and everything has a home” e “more love, less stuff”.

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O meu contexto

Há vários anos que tento ser mais organizada e tenho lido uma quantidade enorme de livros de organização pessoal sem no entanto ter grande sucesso até este ano – e apesar de grandes progressos em minha casa, tenho ainda uma quantidade de tralha muuuuuito considerável em casa dos meus pais que se referem a anos de uma multiplicidade de hobbies que desenvolvi no passado ou que “sempre quis fazer”.

Tenho o (mau) hábito de quando quero fazer qualquer coisa ou aprender qualquer coisa, começo por comprar materiais que se referem a estas atividades e que depois permancem comigo “para sempre”. Exemplo? Em 1996 e 1997 tive aulas de flauta transversal. Queria muito tocar um instrumento e a professora emprestava-me a sua antiga flauta (obrigada, Alice!). Quando deixei de ter aulas, devolvi a flauta. No entanto, todas as fotocópias com partituras ficaram desde então a morar em minha casa porque “um dia destes compro uma flauta e volto a tocar” (não vai acontecer).

Como se pode perceber, multiplicando isto pelos meus outros mil hobbies que em duram alguns anos em média e depois são abandonados por uma coisa nova: hapkido, bijuteria, patins em linha, pintura, etc. isto gera muita tralha.

Hoje em dia, este hábito reflete-se em projectos que me ocorrem. Adoro-os a todos e começo logo a colecionar livros sobre os temas e ficheiros no computador sobre o mesmo; faço workshops e cursos sobre os tópicos… E depois, agendo para “um dia” a conclusão do projeto – o que acaba por nunca acontecer. O reflexo físico deste mau hábito é… tadaaaa! Tralha. E como muitas vezes estou cansada, ou preciso de me distrair com alguma coisa ou… etc! Acabo por deixar a errr… “entropia” tomar conta do meu espaço.

Isto mudou há uns meses.

O que é que estava a falhar?

Fui ao google images e escrevi “organized home before and after” e aqui estão algumas das imagens que apareceram (façam a busca e testem por vocês mesmo).

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bookshelves

before-after

BathroomClosetOrganizationBeforeAfter

Durante anos os livros, revistas e blogs que lia tinham estas soluções espertas para organizar/arrumar espaços que essencialmente se resumiam a comprar umas caixas e capas e colocar as coisas que estavam à solta dentro destas, rotulando as mesmas.

A propósito, esta atividade é tão chata que eu acabava sempre por criar uma caixa extra com tralha por arrumar com tudo misturado lá para dentro após uma manhã ou tarde nesta magnifica atividade, para “depois”.

Olhando para as fotos, detetam o mesmo padrão que eu? As fotos não parecem a mesma coisa, só que num lado as coisas estão à mostra e na outra estão em contentores?

Não é incrível?

Ideias essenciais

Há um padrão que é mais ou menos recorrente nos chamados “organizadores profissionais e nos seus conselhos:

“Like with like and everything has a home”

Li este lema pela primeira vez num livro do Andrew Mellen, mas depois fiquei a perceber que é na verdade um adágio recorrente com outros autores e blogues desta temática.

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Like with like

A ideia central é que objetos parecidos (e.g. livros de instruções), que servem a mesma função (e.g. material de escrita/escritório) ou são usados no mesmo contexto (e.g. objetos de decoração de natal) devem estar todos mais ou menos no mesmo sítio.

Pessoalmente isto para mim refere-se a que, quando estou a arrumar coisas em geral e não sei bem onde colocar qualquer coisa, tento usar esta lógica, mesmo que depois as coisas não fiquem “direitinhas” nesse sítio (e.g. tenho uma caixa com coisas de “tecnologia” onde coloquei desde pen drives que fui encontrando em gavelas e sacos perdidas, discos, a minha coluna de som portátil, carregadores… etc. Um dia destes tenho de arrumar melhor aquilo, mas pelo menos sei onde está tudo destas coisas em que vou mexendo).

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Everything has a home

Esta é uma daquelas coisas que se dizem às crianças para as ajudarem a colocar as suas coisas no seu sítio. Explica-se que as coisas têm uma casa e que devem “dormir” nessa casa. Essencialmente é uma forma de lembrar as pessoas que se colocarem os seus objetos no mesmo sítio normalmente, será muito mais fácil encontrarem os mesmos.

Outra vantagem deste hábito é que as coisas acabam por poder ser premeditadas e o efeito estético dos nossos hábitos é mais planeável (ter o hábito de espalhar tudo em cima do sofá pode ser relaxante no momento, mas contraproducente se depois as pessoas querem usar o sofá…)

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“More love, less stuff”

“The question of what you want to own is actually the question of how you want to live your life.” ― Marie Kondo, The Life-Changing Magic of Tidying Up: The Japanese Art of Decluttering and Organizing

Está completamente de acordo com os princípios da filosofia minimalista que tanto me agrada e é um trend atual + um trend dos organizadores profissionais mais experientes.

Um dos best sellers mundiais nesta temática atualmente é “The life-changing magic of tidying up” da Marie Kondo e a primeira coisa que a autora defende é que s pessoas tirem tudo do sítio e selecionem apenas os objetos que lhes despertam alegria. O resto é para pôr a andar (doar, vender ou pôr ao lixo).

O Andrew Mellen refere que muitas vezes as pessoas sentem os espaços desarrumados porque têm mais coisas do que o espaço necessário para as arrumar e que nesse caso, ou se arranja mais espaço ou se reduz o número de coisas que se tem (e ele defende a segunda opção sempre que possível).

“Menos coisas” quando por opção é sinónimo em geral de mais tempo e mais dinheiro. mais tempo porque as coisas requerem tempo de manutenção e limpeza e porque quanto mais coisas menos é possível sabermos o que temos e onde estão as coisas, pelo que quando precisamos de algo temos de procurar (muitas vezes `”à maluca”).

“Menos coisas” é também mais dinheiro também porque menos coisas e um esforço para manter o número de coisas reduzido faz com que adquiramos menos objetos (e logo, gastamos também menos), mas também n\ao temos os custos de manutenção e limpeza dos objetos.

Captura de ecrã 2015-08-17, às 02.32.00

(fonte: marthastewart.com)

Acho que a ideia do Andrew Mellen que menos coisas é também “mais amor”, além do referido, tem a ver com estarmos mais à vontade para deixar as pessoas entrarem no nosso espaço quando a tralha está controlada e gostamos de estar lá… Além de efetivamente termos também espaço para os outros.

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Uma coisa “mais a sério”

Isto são só os princípios gerais. Há muitas variantes desta ideias e eu seriamente não citei todas as referencias que podia. A principal variante destas ideias é o nível de complexidade e atenção que se quer devotar a este tipo de questão. Apesar de estar nesta temática há uns anos (mais uma vez, dada a minha inaptidão pessoal para a mesma), não tenho grande interesse em ser uma dona de casa profissional (e respeito muito quem o faça!). O nível “superior” de profundidade neste tema da arrumação, organização, limpeza e gestão de toda a vida doméstica pode ser encontrado em vários sítios, mas eu destaco The Fly Lady e a Martha Stewart.

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