D30D :: um mês com o método Marie Kondo (parte 1)

Este desafio parecia-me “no papo”. Mas a verdade é que está a dar luta. Aqui fica o relato da primeira metade do mês.

No início do mês de setembro propus-me a fazer o desafio 30 dias com menos 30 coisas, como uma forma de me desafiar e simplificar a minha vida, para me ajudar a ver o fundamental e me permitir reencontrar o meu ikigai.

Ikigai-1024x768

Optei por experimentar o método KonMari, por um lado porque já estou há dois anos a praticar alguma forma de minimalismo, o que faz com que o desafio seja menor, mas por outro lado por que me senti fascinada com o conceito de “spark joy!” e quis sair da minha zona de conforto.

Como tive oportunidade de partilhar, tinha grandes dúvidas face ao método e até algum receio de o experimentar. A minha casa levou muito tempo até ficar arrumada e por isso não me apetecia mesmo correr este risco.

A minha primeira grande reserva relativamente ao método estava associada a isto: é suposto uma pessoa fazer o processo por categorias e não por divisões ou secções da casa e é suposto fazer-se tudo apenas uma vez. Tirar toda a roupa dos sítios e colocar tudo ao molho em cima da cama para selecionar o que me “desperta alegria!” (outra expressão para “spark joy!”, alguém tem?) é uma visão do inferno para mim.

konmari geral

Felizmente, apesar de haver uma ordem muito bem estabelecida para organizar a autora permite dividir as coisas em subsecções (e.g. “Roupa” pode incluir “roupa interior”, “roupa de desporto”, “vestidos”, etc.).

Dia 1

Assim, a minha primeira experiência foi com a minha gaveta de roupa de desporto e depois de roupa interior e meias. É suposto tirar-se fotos do antes e depois, mas eu esqueci-me.

A experiência foi muito interessante e motivadora. A roupa de desporto estava basicamente num rodilho numa gaveta grande debaixo da cama e não é uma coleção de objetos particularmente feliz para mim; por isso foi fácil identificar os objetos que menos spark joy! Usei a técnica de dobrar roupa que é algo acerca do qual a autora é especialmente entusiasta.

Arranjei uma caixa e coloquei na grande gaveta com as coisas dobradas de forma a ficarem de pé por si mesmas. Selecionei coisas para dar e fiquei apenas com aquilo que de facto uso; tinha coisas porque sei que preciso delas, mas gostava tão pouco desses objetos que me recusava sempre a usá-las consciente ou inconscientemente.

Percebi com este exercício que não tenho calções/calças de desporto! Tenho os calções que andam no saco do ginásio e, ao contrário do que supunha, não tenho mais nenhuns, depois de ter posto para dar o par de calças que estava na gaveta.

Fiquei entusiasmada com o processo e no mesmo dia, acabei por ir para a gaveta das meias e roupa interior.

Mais uma vez, acabei por selecionar coisas que tinha há anos mas que nunca usava porque claramente não “spark joy!”.

A gaveta ficou super organizada e é-me agora muito mais fácil visualizar as coisas que tenho. Também acabei por perceber que preciso de comprar meias… de desporto. Acho que deteto aqui um padrão…

E depois…

No fim de semana estava cheia de coragem e decidi pegar naquilo que mandava a perturbar mais; fiz alguma batota e saltei para a parte das papeladas, ainda sem acabar a secção da roupa.

Tinha uma caixa grande de papelada acumulada, entre recibos, papéis, notas de conferências e reuniões, coisas para pôr no correio… etc.! que era algo que eu não queria mesmo deixar passar muito tempo para organizar, já que sabia que havia documentos importantes entre os papéis irrelevantes.

Enchi-me de coragem e peguei na caixa cinzenta bonita que encaixa perfeitamente no armário IKEA e que fica sempre com um ar tão arrumadinho, cheia de “tralha”e tirei tudo para fora.

Vocês não me conhecem desde sempre e não sabem o quanto isto me horroriza. Durante a minha infância e adolescência fui uma enorme acumuladora de tralha e sempre fui extremamente desarrumada. Mesmo.

Quando a minha mãe conseguia fazer um ultimato e pôr-me a arrumar o armário, eu tirava tudo para fora e ficava o dia inteiro à volta das coisas que tinha para arrumar. Era horrível. Eu nunca conseguia terminar a tarefa completamente, ficava com dores de cabeça e no fim do dia arranjava uma ou duas caixas (ou gavetas) e atirava para lá os restos da desarrumação que eu não conseguia resolver.

Eram dias terríveis. Detestava e nunca mais voltei a fazer este processo desde que ganhei juízo, quando vim morar para esta casa.

Mas como o desafio é fazer o método da sodona Maria Kondo este mês e é só uma caixa, bora lá.

Deitei fora IMENSA coisa (perdi-lhe a conta). Tudo quanto era papelada do meu doutoramento não “spark joy”? Lixo. Assim, sem dó nem piedade. O que não foi para o lixo separei por ação: arquivar adequadamente, levar ao correio, entregar a alguém, usar, etc.

A meio da semana, a sala tinha um aspeto um pouco melhor.

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Mas no final da semana, e ainda sem conseguir acabar de fazer tudo o que precisaria de fazer para de facto “resolver” todas as coisas que permaneciam em cima do sofá, não aguentei mais e guardei tudo o que sobrou numa gaveta, longe da vista.

Sim, numa gaveta. Como antigamente.

Depois de me passar a neura de não ter conseguido fazer o que tinha decidido no inicio da semana, refleti um pouco mais e concluí que o esforço não foi completamente em vão.

Libertei uma caixa enorme de tralha, enviei coisas que tinha de enviar por correio, lembrei-me de coisas que tinha e que posso usar este ano e organizei as faturas que tinha ao monte. Não foi perfeito, mas foi alguma coisa e até teve (muita) utilidade.

Além disso, pode sempre ser um primeiro passo para eu concluir as coisas que ainda ficaram penduradas, mais tarde.

Só que depois deste episódio, já não podia ver a sodona Kondo, ouvir a sodona Kondo, ou pensar em nada que tivesse a ver com esta maravilha toda, por isso carreguei no pause e deixei-me estar, sem pensar em arrumar mais nada nem no que me spark joy!, porque a única coisa que me spark ter estado toda a semana com a sala e o sofá com tralha por todo o lado é nervos. Só nervos.

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Um pensamento sobre “D30D :: um mês com o método Marie Kondo (parte 1)

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