[um ano saudável] reflexões

Em 2016 tentei ser mais saudável e focar comportamentos que promovessem o meu bem estar físico e mental. O desafio foi bem intencionado mas se for completamente honesta, tenho de admitir que não me esforcei tanto quanto achava que ia fazer  quando iniciei este percurso.

Experimentei várias coisas e concluí que o mais importante é a consistência e a simplicidade, mas também que hábitos de anos requerem tempo para mudar não só em termos de “força de vontade”, mas também do ponto de vista orgânico.

Ainda assim, mantive-me na missão até ao final; aqui ficam as minhas principais reflexões e resultados.

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No início de 2016, após entregar a minha tese, sentia-me completamente esgotada. O processo da tese foi extremamente difícil para mim de um ponto de vista pessoal e durou muito tempo; a fase final implicou que me praticamente me isolasse do mundo e que me focasse apenas na tarefa e no trabalho, o que teve como consequência, entre outras coisas, um sentimento de alienação, infelicidade e ganho de peso substancial. Tinha dores de cabeça horríveis de forma extremamente frequente (mais do que uma vez por semana) e não me sentia com energia.

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Após a entrega da tese, decidi que este ano me iria focar em mim mesma, que precisava de me recuperar e decidi concentrar os desafios de 2016 na área da saúde para melhorar a minha qualidade de vida.

Experimentei várias coisas inspirada nas coisas que fui lendo e vendo nas minhas pesquisas. Comecei pelo bom senso, e depois fui experimentando as sugestões dos estudo das Blue Zones, da Shonda Rhimes, da Giulia Enders, da Roberta Anding e do Michael Gergen. Redescobri o Michael Pollan e a Marie Kondo e a meditação.

A partir do segundo trimestre do mês comecei a sentir um decréscimo no entusiasmo nesta tarefa e achei que se calhar estava a fazer “batota”, o que levou a uma reflexão profunda dos “porquês” e “comos” desta missão.

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Decidi voltar ao início, porque tinha já reunido tantas sugestões e ideias “saudáveis” que achei que se implementasse diariamente o que estava escrito nos meses anteriores, a minha qualidade de vida aumentaria em muito e que o importante era mesmo focar a prática mais do que a teoria.

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A lista era extensa:

  1. [janeiro] e [julho] comer 3 vezes por dia
  2. [janeiro] [julho] deixar o carro em casa; usar transportes públicos e bicicleta
  3. [janeiro] e [julho] fazer yoga
  4. [fevereiro] e [agosto] refletir diariamente sobre o ikigai / vida espiritual
  5. [fevereiro] e [agosto] meditação
  6. [fevereiro] e [agosto] alimentação é sobretudo à base de plantas, com pequenas estratégias para evitar que se coma demasiado (como o hara hachi bu, servir a comida em pratos pequenos, servir na cozinha e depois guardar a comida antes de comer à mesa, etc.)
  7. [fevereiro] e [agosto] foco nas relações sociais
  8. [março] e [setembro] declutering
  9. [março] e [setembro] dizer “sim” à aventura (“push yourself”)
  10. [março] e [setembro] um dia por semana sem trabalhar de todo
  11. [março]  e [setembro] cozinhar/levar comida para o trabalho
  12. [abril] e [outubro] cuidado com o funcionamento intestinal: consumo de água e de pro e prébióticos (comida fermentada)
  13. [maio] e [novembro] internet reduzida ao mínimo absoluto em casa (desligada por sistema)
  14. [maio]  e [novembro] comer sopa
  15. [maio]  e [novembro] ter sempre coisas/snacks saudáveis no frigorífico
  16. [junho] e [dezembro] ir ao ginásio com frequência
  17. [junho] e [dezembro] comer comida pouco processada
  18. [junho] e [dezembro] comer 50% fruta e vegetais

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Na segunda metade do ano, quis repetir os desafios, mas também reduzir a lista para o seu essencial e simplificar a “tarefa”, de modo a poder ser o mais consistente possível.

As coisas que eu sinto que realmente fizeram diferença em mim foram:

  1. comer 3 vezes por dia (ter horários e alturas específicas para comer, de modo a evitar a “muleta emocional” da comida, especialmente do doce)
    • Quando adicionei a esta rotina de 3 vezes, uma rotina de menu, isso também ajudou a minha gestão pessoal em termos logísticos (de compras e confecção), mas também de manutenção dos comportamentos (quando fazia exceções, sabia como voltar ao que me parecia a opção mais saudável no dia seguinte).
  2. deixar o carro em casa; usar transportes públicos e bicicleta
  3. 10 minutos de silêncio e chá quente antes de começar o dia
  4. cozinhar/levar comida para o trabalho (e por consequência, comer menos comida processada)
  5. fazer exercício com frequência,  especialmente Yoga e corrida.
  6. decluttering

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As restantes coisas ou (já) não são algo com que eu precise de ajuda (e.g. “foco nas relações sociais”, “um dia por semana sem trabalhar”) ou são coisas que derivam naturalmente destes hábitos (e.g. “regular o trânsito intestinal”, “ter sempre coisas saudáveis no frigorífico”) ou mesmo são coisas que não funcionam para mim de todo (e.g. “comer sopa”).

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Este desafio teve ainda outras consequências não esperadas à partida, mas que fazem algum sentido. O facto de ter este compromisso implícito de escrever todos os meses sobre a experiência, por um lado contribuiu muito para me ajudar a manter na tarefa mesmo nos meses em que estava a perder o entusiasmo e por outro lado estimulou o meu interesse e pesquisa de coisas nesta área, exatamente porque sabia que ia escrever sobre isto.

Este último facto não é de somenos importância. Embora eu já tivesse uma experiência de um desafio anual com “um ano sem tv”, a verdade é que  o hábito de escrever sobre isto funcionou sobretudo como uma forma de ventilar o insucesso e a frustração extremamente eficaz e de procurar suporte social e ideias sobre como ultrapassar as dificuldades.

O “ano saudável” foi algo que publicitei menos nas redes sociais. Acho que existe algum estigma nesta área, na medida em que me parece que há uma certa ideia que “já todos devíamos saber” o que nos faz bem e o que nos faz mal, porque isso é “óbvio” e se aprende desde a primária. Confesso que os meus insucessos nesta área tão “básica” me fazem sentir algum embaraço – manter os posts regulares sobre esta aventura foi ao mesmo tempo também um ato que requereu alguma coragem e aceitação do meu próprio fracasso público.

O facto é que esta é uma aprendizagem individual que dura a vida inteira e varia de pessoa para pessoa, de contexto para contexto, de estilo de vida para estilo de vida. Penso que vale a pena não dar por adquiridos estes conhecimentos e continuar a procurar e a melhorar sempre.

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Para mim, a grande experiência este ano foi a forma como consegui pôr-me em primeiro lugar muitas vezes em que não o faria e a maneira como conseguir priorizar a minha saúde de um ponto de vista global, embora sinta que tenho muito a melhorar.

Penso que vou continuar esta série da saúde mais uns tempos, porque isto de facto fez-me muito bem e eu sinto-me mais saudável no final deste ano, mesmo sem ter perdido todo o peso que ganhei durante o doutoramento e não ter eliminado completamente as enxaquecas.

Também sinto que este desafio tem um ritmo que não é o ritmo “cognitivo”. O corpo leva tempo a desabituar-se de anos de uma determinada prática e é importante darmo-nos tempo para mudar essas mesmas forma de funcionar.

Penso que este é um desafio que vai continuar a existir para mim, porque
a) não atingi todos os objetivos que achava que ia atingir no final do ano,
b) esta é uma aprendizagem contínua e
c) o corpo vai mudando com o passar do tempo o que torna importante cuidar destas mudanças.

Experimentei várias coisas ao longo deste ano e concluí que o mais importante é a consistência e a simplicidade, mas também que hábitos de anos requerem tempo para mudar não só em termos de “força de vontade”, mas também do ponto de vista do prórpio corpo.

 

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