“O coração perto da boca”: algumas ideias-chave sobre comunicação oral de impacto

Na quinta-feira passada tive o prazer de ser convidada para colaborar com a UC de seminário do Mestrado em Finanças da FEP onde fui falar sobre comunicação oral de impacto a convite de Cláudia Ribeiro. Aqui fica a apresentação e algumas ideias chave.

Falar sobre “falar em público” é algo que tenho sido convidada a fazer com alguma regularidade nos últimos tempos.

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Originalmente, quando comecei a preparar esta comunicação pensei salientar 3 coisas a importância da Presença, do Storytelling e dos Laços que se criam quando se comunica. No entanto, à medida que fui preparando a apresentação apercebi-me que em uma hora e pouco não conseguiria abordar todos estes temas e ainda falar de truques e técnicas práticas, pelo que mudei o meu foco. Assim, comecei por perceber quais as dúvidas e questões que os/as estudantes mais referiam como preocupantes para si, de modo não descurar uma componente mais prática, sem deixar de abordar a questão da atitude. Foquei apenas uma questão-chave de atitude: quem comunica eficazmente tem clara uma missão e uma mensagem quando fala em público.

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Naturalmente existem técnicas, truques e dicas que se podem partilhar (e que foram o alvo do documento “Calar é a sabedoria dos tolos” que escrevi em 2013-2014 – partilhado neste post), no entanto, focar apenas nestas “coisinhas” acaba por ser insuficiente, porque diferentes pessoas têm diferentes necessidades e estilos de comunicação: todos eles podem ser trabalhados para serem eficazes de forma diferente!

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Então e numa perspetiva bastante holística do assunto, o que tentei transmitir aos estudantes foi que:

  • Frequentemente temos receio de falar em público porque tememos expor-nos; não sabemos o que os outros irão pensar daquilo que estamos a dizer e por consequência de nós mesmos.
  • Falar em público não é uma ciência, é uma arte: isto quer dizer que há mais do que uma forma de fazer este exercício com sucesso, não existe “one best way” ou “one right way”. O que existe é a melhor forma a cada momento para cada um de nós em conjunto com o público a que nos estamos a dirigir.
  • As técnicas de colocação de voz, de postura, de elaboração de slides, etc. por si só nada garantem, apenas aumentam a probabilidade de sermos melhor entendidos e nos dão alguma segurança, o que em si já não é mau.
  • O mais importante é a atitude. Quando falamos de atitude em comunicação em público, falamos de várias coisas, nomeadamente de presença
  • Presença neste contexto é a capacidade de estar aqui e agora, concentrados na nossa mensagem e sobretudo na nossa missão. Não podemos controlar o que os outros pensam sobre nós ou a atenção que nos querem dar, MAS podemos ter clareza na razão porque estamos a fazer uma determinada comunicação; se a missão for clara para nós e a considerarmos valiosa, o resto vai necessariamente ser mais fácil, adaptável e flexível. A atenção já não está no nosso valor pessoal, no que os outros estão a pensar de nós, mas sim na mensagem e nas razões porque nos juntamos todos no dia para a tal comunicação.
  • A noção de missão na comunicação, cria objetivos claros para a mesma e ajuda a adequar às reações do público, a reagir aos imprevistos e contratempos que possam surgir (sejam tecnológicos, temporais ou de outra natureza). Sabemos porque estamos ali e sabemos que queremos contribuir para um objetivo maior, então é mais fácil contornar os obstáculos que vão surgindo.
  • A noção de que uma comunicação em público é um serviço que estamos a prestar aos outros, além de nos dar humildade e nos colocar na posição de quem oferece um serviço (mais vantajosa que a posição de quem teme ser avaliado ou de quem está a pedir atenção), ajuda também a que exista um melhor desenvolvimento de melhores relações entre quem comunica oralmente e quem está na audiência, o que é sempre uma ótima experiência.

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Pessoalmente adorei esta experiência. Foi a primeira vez que apresentei o tema desta forma, em vez de me concentrar em dar técnicas e dicas e sinto que resultou bem. Acima de tudo foi uma sessão que me deu imenso gozo fazer e preparar, onde sinto que aprendi imenso com os estudantes que participaram muito e onde pude ganhar novos insights sobre uma temática que me parece tão importante nos dias que correm.

 

 

 

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