Poemário #19 “Lisboa” de Álvaro de Campos

Lisboa Lisboa com suas casas De várias cores, Lisboa com suas casas De várias cores, Lisboa com suas casas De várias cores… À força de diferente, isto é monótono. Como à força de sentir, fico só a pensar.Se, de noite, deitado mas desperto, Na lucidez inútil de não poder dormir, Quero imaginar qualquer coisa E…

Poemário #18 “Letra para um hino” de Manuel Alegre

«Letra para um Hino» É possível falar sem um nó na garganta é possível amar sem que venham proibir é possível correr sem que seja fugir. Se tens vontade de cantar não tenhas medo: canta. É possível andar sem olhar para o chão é possível viver sem que seja de rastos. Os teus olhos nasceram…

Poemário #17 “Procissão” de António Lopes Ribeiro

Procissão Tocam os sinos na torre da igreja, Há rosmaninho e alecrim pelo chão. Na nossa aldeia que Deus a proteja! Vai passando a Procissão. Mesmo na frente, marchando a compasso, De fardas novas, vem o solidó. Quando o regente lhe acena com o braço, Logo o trombone faz popó, popó. Olha os bombeiros, tão…

Poemário #16 “Súmula” de Herberto Hélder

Na semana em que perdemos o poeta, uma pequena homenagem. SÚMULA Minha cabeça estremece com todo o esquecimento. Eu procuro dizer como tudo é outra coisa. Falo, penso. Sonho sobre os tremendos ossos dos pés. É sempre outra coisa, uma só coisa coberta de nomes. E a morte passa de boca em boca com a…

Poemário #15 “Prece” de Miguel Torga

PRECE Senhor, deito-me na cama Coberto de sofrimento; E a todo o comprimento Sou sete palmos de lama: Sete palmos de excremento Da terra mãe que me chama. Senhor, ergo-me do fim Desta minha condição: Onde era sim, digo não, Onde era não, digo sim; Mas não calo a voz do chão Que grita dentro…